Salvador, Brasil. 2010-09-09.
 
 
 
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Cinema
Leonardo Campos Cerqueira
Graduando em Letras Vernáculas com Habilitação em Língua Estrangeira - Inglês - UFBA


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Nine
Imbuí • 08 Fevereiro 2010

Imbuí Por trás de todo homem, existe sempre uma mulher. A máxima cotidiana ganha maior enfase em Nine, produção mais recente do diretor Rob Marshall, que traz em seu elenco excelentes performances de Daniel Day-Lewis, Judi Dench, Kate Hudson, Marion Cotillard, Nicole Kidman e Penelope Cruz. Injustamente condenado pela crítica especializada, Nine apenas concorreu ao Globo de Ouro e outros prêmios menores, ganhando destaque para Penelópe Cruz e sua indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Nine narra a historia de Guido Contini, diretor de cinema próximo aos cinquenta anos de idade, que enfrenta uma forte crise de produção, não conseguindo inspiração para escrever o roteiro de seu proximo filme, o grandioso Itália.
As voltas do lançamento de Nine nos cinemas, muitas críticas perderam o senso de análise e optaram em se perder no histórico de produção e visual das atrizes, em especial, Nicole Kidman e Sophia Loren, exageradas no que tange a cirurgia plástica: qualquer crítica ao talento de Nicole como Cláudia em Nine é absurdo, visto que a caracterização está soberba e desde Moulin Rouge – Amor em Vermelho, a atriz australiana mostrou que consegue segurar um papel para musical, além de ter voz e senso de humor para segurar a personagem que lhe foi atribuida, sendo a primeira das mulheres a surgir no número inicial, quando as musas de Guido são apresentadas aos espectadores.

Penelópe Cruz, apresentada ao mundo como boa atriz através dos filmes de Pedro Almodóvar cresce a cada filme que aparece: além de boa atriz, Penelópe é inteligente ao escolher bons papéis para seu currículo. Em Nine, personifica Carla, a amante lasciva de Guido, apresentando um número musical extremamente sensual. Kate Hudson surge pouco mas faz o trabalho com bastante dignidade: ela é Sthepanie, jornalista de moda da revista Vogue, interessada em conhecer o figurino do novo filme de Guido Contini, Itália, que traz Lilliane (Judi Dench, ótima) como a figurinista responsável e amiga do diretor. Shopia Loren surge como Mamma, sempre presente na imaginação do diretor e Fergie como La Saraghina, prostituta que marcou a infância de Guido, que ainda vive amargamente arrependido por não ser um bom marido para Luisa Contini, sua esposa, vivida pela simpática Marion Cotillard.

Nine é um bom musical, tecnicamente bem produzido, com ótimas atuações, que apenas perde o fôlego do meio para o final, apresentando-se arrastado, ganhando força atrasadamente próximo ao final. Dirigido por Rob Marshall, Nine é uma ótima opção para quem ama/curte/estuda cinema, afinal, a produção gira em torno do que é um filme, dos seus pormenores, em suma, uma produção metalinguistica: é cinema falando de cinema.

As canções Cinema italiano e Take it all ganharam bastante reconhecimento, pois são bem interpretadas por suas personagens (Hudson e Cotrillard, respectivamente), sendo escritas por Maury Yeston. Com 120 minutos de duração, Nine é um ótimo exercício cinematográfico, que faz diversas alusões ao universo de Federico Fellini, reconhecidissimo (merecidamente) cineasta italiano. Curioso ou não, Nine faz uma rápida citação a Proust, durante um número musical solo de Guido. Vale ressaltar que o escritor (Proust) é reconhecido dentro do panorama da teoria da literatura por abordar de forma contundente o universo do memorialismo, sendo referência máxima dentro do assunto. Sendo assim, em Nine, a referência é coerente.


 
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